Isso aconteceu em um tempo onde não foi possível reter muitas memórias...
Tudo o que eu sei é fruto do que meu pai me contou, um pouco de minha lembranças e uma parte considerável, que preenche as lacunas, de imaginação...
Eu tinha apenas cinco anos. Nesse tempo minha mãe ainda estava entre nós, e vivíamos em um lugar distante.
Minha mente diz que foi um inverno de muito vento e de longos dias de chuva... Meu pai não desmente isso, então tomo como real.
Naquele dia não choveu... e fez um lindo sol, propiciando grande alegria na cidade e, também, a chegada do circo.
Minhas lembranças são da felicidade que tive, principalmente ao ver os animais.
E isso é tudo que tenho de certo e claro... o resto é apenas um caleidoscópio de imagens distorcidas...
Meu pai me contou a versão fatídica...
''Naquele dia, sua mãe e eu, o levamos ao circo pela primeira vez. Você adorava os animais e os algodões doces... - Ele parou, como se estivesse revendo as imagens de um filme rodando no projetor. - Sua mãe queria te mostrar os palhaços, mas você ficou apavorado quando viu um de longe, então ela te levou a tenda dos animais mais uma vez, para você se acalmar. O grande show ia começar e então nos encaminhamos para a grande tenda central. O show deles não foi dos melhores... - algo se prendeu em sua garganta, e eu esperei em silêncio – Tudo estava normal, até a hora de sairmos. Ocorreu um grande tumulto e então sua mãe se perdeu... - lágrimas começavam a saltar de seus olhos castanhos escuros – e não mais a vimos...''
Ele me contou isso quando eu tinha treze anos. Ele disse que era hora de seguirmos em frente. Não entendi o porque desse comentário. Mas é certo que paramos em uma cidade e ficamos por lá.
Nossa vida era sempre mudar, mudar e mudar... e ir ao circo. Sempre imaginei que era o único lugar onde meu pai poderia lembrar de minha mãe em seu ponto mais feliz.
Um dia me cansei disso e fui questioná-lo. E ele só disse que não conseguia ficar em um lugar por muito tempo.
Mas meu pai viu que não estava me fazendo bem a longa jornada de mudanças, e que eu estava me afastando muito dele. Então depois de rodar o país inteiro nos instauramos aqui em Meridian, Mississipi. Enfim as coisas começaram a se firmar...
domingo, 22 de janeiro de 2012
Prólogo
E lá estava ele. Me encarando... e trazendo todos meus temores à tona.
Temores infantis, que nunca tentei enfrentar.
Temores infantis, que nunca tentei enfrentar.
Aquela face, cheia de maquiagem branca... boca vermelha e olhos vagos, que colocam todas as crianças à rir, e que sempre me dava aquela sensação horrível.
Ele continuava seu número, sem nunca olhar para mim, mas minha mente aturdida não tomou conhecimento desse fato até ele sair de cena.
Então era hora do espetáculo com animais. De todos os gêneros... Desde cachorros em bolas, elefantes, e macacos andando na corda bamba. E então viria o Gran Finale.
Os animais me ajudaram a acalmar e decidi não ver a última apresentação... O show de Ilusionismo, podia apresentar mais palhaços e não sabia se aguentaria.
Então eu fiz o que pode se tornar a pior, ou talvez a melhor, escolha da minha vida. Deixei meus amigos e saí para o frio da noite estrelada, fora do picadeiro do The Big Illusionist Troupe'.
Ele continuava seu número, sem nunca olhar para mim, mas minha mente aturdida não tomou conhecimento desse fato até ele sair de cena.
Então era hora do espetáculo com animais. De todos os gêneros... Desde cachorros em bolas, elefantes, e macacos andando na corda bamba. E então viria o Gran Finale.
Os animais me ajudaram a acalmar e decidi não ver a última apresentação... O show de Ilusionismo, podia apresentar mais palhaços e não sabia se aguentaria.
Então eu fiz o que pode se tornar a pior, ou talvez a melhor, escolha da minha vida. Deixei meus amigos e saí para o frio da noite estrelada, fora do picadeiro do The Big Illusionist Troupe'.
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